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Desenhada e construída na cidade de São Paulo, para residência da arquitecta Lina Bo Bardi em 1951, a Casa de Vidro, como ficou conhecida, é um raro exemplo de conservação do património arquitectónico residencial e da floresta tropical brasileira na qual a casa está enquadrada.
Nascida em Roma no ano de 1914, Lina Bo Bardi, estudou e trabalhou como arquitecta em Milão. Com a 2ª Grande Guerra emigra para o Brasil instalando-se na cidade de São Paulo onde deixou uma forte marca arquitectónica, tendo desenhado alguns dos mais emblemáticos edifícios da cidade como o Museu MASP ou a cooperativa SESC Pompeia.
A Casa de Vidro apresenta-se como um volume de vidro suspenso sobre a encosta. A entrada é feita por baixo da casa, criando um inusitado hall a céu aberto, rodeado por vegetação. No interior, a sensação é a de quem está numa casa da árvore, rodeado pela tropicalidade da vegetação que também confere um forte sentido de intimidade pouco comum em casas onde o vidro é dominante. O pavimento em pastilha azul céu é também incomum, ampliando ainda mais a luz natural, como se do céu reflectido se tratasse.
Os interiores e o mobiliário revelam mais uma vez a sensibilidade impar de Lina, que se apropriou fortemente da cultura brasileira, tanto a erudita como da popular. Todos os objectos existentes são o reflexo da pesquisa e coleccionismo de uma vida. Do barroco Português, ao modernismo brasileiro da década de 60, tudo se conjuga. A leveza da arquitectura, equilibra magistralmente o que poderiam ser espaços de objectos densos. Por outro lado há uma simplicidade dos materiais e dos objectos, puros e funcionais.
Para nós, este é um brilhante exemplo de como se pode pensar e habitar o espaço de forma totalmente moderna, estando atento ao passado e à cultura, através de soluções inovadoras mas sem comprometer a sensação de conforto e de bem estar.