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Colecção

EXPOSIÇÃO #SÓQUENÃO | MARIA CASTEL BRANCO

Em 2020 Maria Castel-Branco viu-se, por conta de um mal maior, confinada às paredes de sua casa, onde a única fonte de ar e inspiração passou a ser as janelas. O nascer e o pôr-do-sol marcaram o ritmo do tempo a passar. A vida estava em suspenso, o amanhã incerto, o mundo e as suas cores, texturas e sonhos pareciam ter desaparecido num infinito obscuro. Esta pandemia roubou-lhe as ruas, as suas pessoas, o seu amor, saúde e sonhos.

#sóquenão 

Resolveu respirar, inspirar e recorrer aos materiais que tinha à mão. Aguarelas, pincéis  e papéis. Aí venceu os medos, as incertezas,  os desesperos, recuperou da falta de ar e preencheu os minutos suspensos de dias que se repetiam, não mais, num vazio. Foi num rolo de papel de cozinha que conseguiu recuperar o equilíbrio,  alinhar o horizonte e o ponto de fuga. Reconquistou a sua criatividade e esperança e aí traçou os seus sentimentos, o seu futuro e até mesmo a sua saúde comprometida. Reviu-se  na fragilidade do papel e da própria vida, mas nele transpôs a sua força e conseguiu limpar as cores turvas que assombraram o mundo inteiro. Limpou as lágrimas e agradeceu a sua Sorte. Apesar de amachucada, acreditou na recriação e na renovação da vida, na paleta de cores que espreitavam por detrás de um futuro cinzento e incerto. Esta exposição vem mostrar e confirmar a Resiliência de Maria Castel-Branco e que é na fragilidade dos limites que cada um de nós renasce.

Texto de Cuca Carou

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